A política de deportações para países terceiros adotada pela administração de Donald Trump está a abranger migrantes LGBTQ que alegam estar em risco de perseguição, mesmo quando tribunais de imigração norte-americanos determinaram que não deveriam ser devolvidos aos seus países de origem. A Third Country Deportation Watch documenta que o Governo estabeleceu pelo menos 35 acordos com países de África, América Latina e outras regiões para receber deportados norte-americanos. Segundo organizações de defesa dos direitos humanos, mais de 25 mil pessoas já foram transferidas ao abrigo desta política para 29 países diferentes.
Um dos casos mais emblemáticos é o de Aylin, uma mulher turca de 28 anos que procurou proteção nos EUA após receber ameaças relacionadas com a sua orientação sexual. Apesar de um juiz ter determinado que não deveria ser deportada para a Turquia, Aylin foi algemada e enviada para a República Centro-Africana, um país com o qual não tinha qualquer ligação. "Tenho tanto medo. Quero sair, porque sou humana. Mas não posso sair aqui", confessou à CNN. Outro caso é o de Adwoa, uma mulher ganesa bissexual de 21 anos, que após proteção judicial contra deportação para o Gana foi enviada para os Camarões, onde as relações entre pessoas do mesmo sexo são ilegais e puníveis com até cinco anos de prisão.
Bridget Crawford, da Immigration Equality, considera especialmente problemática esta prática: "É terrível para qualquer refugiado ser colocado nesta situação. Mas, se é queer ou trans e está a ser enviado para um país que persegue pessoas queer e trans, é simplesmente inconcebível".


