A contratação de Kit Connor, estrela da série Heartstopper, para interpretar Scott Summers, o Cyclops, marca um momento histórico para a representação LGBTQ+ no cinema de super-heróis. Connor é apenas o terceiro actor a dar vida ao personagem, após James Marsden e Tye Sheridan, mas a sua eleição é significativa por razões que vão muito além da tela: é provavelmente o único actor abertamente queer num papel de liderança e romance heterossexual numa produção cinematográfica de grande orçamento.

Embora actores LGBTQ+ tenham aparecido em filmes de super-heróis anteriormente — Alan Cumming como Nightcrawler, Ian McKellen como Magneto, ou Tessa Thompson como Valkyrie no MCU — estes papéis eram frequentemente secundários ou características «seguras», sem exigências românticas explícitas. Cyclops é diferente: é o líder dos X-Men, a figura de comando militar, e está envolvido num triângulo amoroso com Jean Grey e Emma Frost. Connor terá de cumprir todos os estereótipos tradicionais de masculinidade heterossexual enquanto age como actor bissexual descoberto.

No passado, estúdios de Hollywood teriam recusado contratar um actor abertamente queer para este tipo de papel. O caso de Matt Bomer é emblemático: em 2004, tinha um contrato para interpretar Superman, mas perdeu o papel quando o projecto se transformou em Superman Returns, alegadamente porque o estúdio temia associar um actor gay ao símbolo supremo da masculinidade americana. A mudança com Connor reflete uma transformação cultural mais ampla.