Preciso de me sentar. E quando eu preciso de me sentar, é porque o nível de vergonha alheia ultrapassou a minha capacidade de ficar calada. Que já por si não é grande. Mas hoje o silêncio é que seria obsceno.

Um grupo de influenciadores portugueses viajou a Israel esta semana. Com tudo pago. Pela embaixada. Entraram em Gaza. Filmaram os túneis do Hamas. Publicaram stories. No mesmo dia em que um ataque israelita matou seis pessoas no mesmo território que eles filmavam com ring light e boa disposição. Jornalistas estrangeiros estão proibidos de entrar em Gaza. Mas influencers podem. Porque os jornalistas fazem perguntas e os influencers fazem conteúdo. E o conteúdo não incomoda. Entretém. Como as flores num funeral. Bonitas. Mas não ressuscitam ninguém.

Os nomes já circulam nas redes. Nenhum tem formação em jornalismo, ciência política ou estudos do Médio Oriente. Uma é sionista assumida na bio. Outra fez uma tatuagem numa zona de guerra. Um conduz TVDEs. E todos entraram em Gaza quando os jornalistas não podem. Não têm currículo. Têm seguidores. E no mercado da propaganda, seguidores valem mais do que factos.